domingo, 12 de março de 2017

As mãos de meu pai

Imagem: Gayle George
As mãos de meu pai 
(Mário Quintana)


As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
— como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa
beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos
braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah! como os fizeste arder, fulgir, com o milagre
das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos
nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria
vida
... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Descascando cebolas

Lilly Martin Spencer (1822 –1902) Peeling Onions



Descascando cebolas (Adrienne Rich)

Só para ter um pesar
equivalente a todas essas lágrimas!

Nem um soluço em meu peito.
De coração impávido como Peer Gynt
eu corto tudo, sem heróis,
uma mera cozinheira.

Chorar já foi trabalho, uma vez
quando tive bom motivo.
Caminhando, senti meus olhos como feridas
abertas em minha cabeça.
Por isso os atendentes dos correios, pensei, deviam me encarar.
Um olhar de cachorro, de um gato, fizeram-me sentir dor -
ainda assim tudo permaneceu
preso em meus pulmões feito neblina escura.

Essas velhas lágrimas na tigela de cortar cebolas.

[Traduzido do inglês por Paula D.]


Peeling Onions (Adrienne Rich)

Only to have a grief
equal to all these tears!

There's not a sob in my chest.
Dry-hearted as Peer Gynt
I pare away, no hero,
merely a cook.

Crying was labor, once
when I'd good cause.
Walking, I felt my eyes like wounds
raw in my head,
so postal-clerks, I thought, must stare.
A dog's look, a cat's, burnt to my brain -
yet all that stayed
stuffed in my lungs like smog.

these old tears in the chopping-bowl.

[1961]

RICH, Adrienne. The fact of a doorframe, 1984.

sábado, 4 de março de 2017

Meu poema sem palavras

Starry Night Over the Rhone - Vincent Van Gogh

[por Adrienne Rich]

A noite fala,
você diz.
Meu poema sem palavras.
Meu voo rumo ao desconhecido.

O corpo é leve quando
tomado pelo que é.
Formado por muros e
janelas.
Pronto para entrar em chamas.
Com pequenas bandeiras
tremulando ao centro.

Toco em você com a ajuda
do vazio.
Uma ode à sobrevivência.
Um dicionário de prados selvagens.
Faremos qualquer coisa
por uma cura.

[Traduzido do Inglês por Paula D.]


Night is speaking
you say.
My poem without words.
My flight into wild country.

The body is light when
taken for what it is.
Formed of walls and
windows.
Ready to burn.
With little flags
fluttering in the center.

I touch you with the help
of the void.
An ode to survival.
A dictionary of wild grasses.
We'll do anything
for a cure.

(2004) Adrienne Rich. Telephone ringing in the labyrinth: poemas 2004 - 2006. 
London and New York: W.W. Norton & Company, 2007. p. 33

sexta-feira, 3 de março de 2017

Maré baixa



Maré baixa
[M. Vasalis]

Recuo e espero.
Tempo assim não será perdido.
Cada minuto se transforma em futuro.
Sou um oceano de espera,
envolto em água pelo instante.
Na maré baixa que sinto,
que puxa para si os minutos e,
em suas profundezas, prepara
a maré alta que vem.
Não há tempo. Ou será que
nada há além do tempo?

[Traduzi do inglês a partir da tradução do holandês por Juliana Brina]

quinta-feira, 2 de março de 2017

Outros jeitos de usar a boca



quando minha mãe estava grávida
do segundo filho eu tinha quatro anos
apontei para sua barriga inchada sem saber como
minha mãe tinha ficado tão grande em tão pouco tempo
meu pai me ergueu com braços de tronco de árvore e
disse que nesta terra a coisa mais próxima de deus
é o corpo de uma mulher é de onde a vida vem
e ouvir um homem adulto dizer algo
tão poderoso com tão pouca idade
fez com que eu visse o universo inteiro
repousando aos pés de minha mãe

[Rupi Kaur. in: Outros jeitos de usar a boca. trad. Ana Guadalupe. São Paulo: Planeta, 2017.]


Rupi Kaur é uma escritora e artista nascida na Índia que vive em Toronto, Canadá. Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência, o amor, o sexo, o abuso, a perda, o trauma, a cura e feminilidade. Publicado inicialmente de forma independente, o livro já vendeu mais de 1 milhão de exemplares impressos e ficou em 1º lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O livro é um poema

Edição comemorativa 30 anos de Companhia das Letras


Orelhas (Eucanaã Ferraz)


Amo a margem esquerda onde irrompe o poema
onde principia esse espaço que semelha um pátio
onde o vazio recua para que a voz gráfica se faça.

Diante do ovo das nuvens do ermo da seda
do mar aberto do céu incerto a margem esquerda
induz ao gesto e força a mola que salta para

além do branco. Amo a margem esquerda a escarpa
contra a qual o mundo se espedaça e o mundo
recomeça para morrer algumas águas adiante.

Amo a margem esquerda o zero da régua projetando-se
para a praça onde em linhas que unem paisagens
distintas o tempo dança ainda sua infância.

Mas antes que o poema exista a margem esquerda
é apenas um ramo invisível - galho provável
na árvore que imaginamos e que só vive

quando um verso exausto de também não ser
se apoia na parede reta nas encostas ásperas
da página que espera.

...

[tão bonita a apresentação do Luiz Schwarz nessa edição comemorativa dos 30 anos da Companhia das Letras! Os poemas reunidos aqui falam sobre livros e poesia - um livro presente, livro poema. Quem tem amigos queridos dos livros ganha essas coisas lindas :) Obrigada, Kalebe! ]

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Clarice, para todos

Clarice Lispector

Minhas primeiras lembranças como leitora de Clarice são da época da escola, quando tivemos que ler "O primeiro beijo e outros contos" nas aulas de literatura e português. Diferente da Juliana, não tenho uma história bonita para contar sobre como uma bibliotecária querida me fez ler o livro, assim como não tive uma impressão tão ruim da capa. Mas lembro-me de ter ficado curiosa com o título do livro (será que vai falar de primeiro beijo mesmo? Aquela curiosidade da época). A lembrança que tenho é de ter lido e gostado dos textos, porque já gostava de ler nessa época, mas o livro não era nada do que eu estava esperando.

Anos mais tarde, também na escola, um 'temível' professor de redação, famoso por dar zero nas provas de uma turma inteira, adotava os contos de Laços de família, na época cobrado também no vestibular, como fonte de temas sobre os quais teríamos que construir um texto dissertativo para avaliação. Pânico geral em todas as turmas, acho que ninguém era maduro o suficiente para ler Clarice. E agora, como faremos para decifrar o tema nos contos dessa escritora tão difícil e enigmática? Essa matéria provavelmente contribuiu bastante para que muita gente ficasse traumatizado com a autora, afinal, de um trecho de um conto para nós muito enigmático, tínhamos que escrever em poucas horas uma redação, e para isso era necessário identificar um tema.

Eu adorava as aulas de literatura, sempre era a melhor parte da semana, e nunca tive medo de redação. Tantos colegas simplesmente travavam diante da folha em branco, enquanto era uma das minhas melhores provas sempre (saudades desse tempo em que não ficava bloqueada diante da folha em branco...). Acho que isso acontecia porque não sentia medo, só queria escrever. E mesmo que hoje tenha plena consciência de que não tinha tanta maturidade para ler Clarice (será que sempre estamos preparados para as nossas leituras ou é assim que um dia a gente se prepara para estar?), nessa época algo já me fascinava nos contos que lia, certa de que tinha muito mais ali que eu ainda não compreendia, mas queria compreender. Foi um ano de muitos zeros nas provas de redação, eu tive que me conformar com a nota cinco, que para mim era uma tristeza, mas nessa conjuntura equivalia a um dez e, por isso, despertava olhares de espanto de meus colegas que me perguntavam "como você consegue identificar o tema?", e eu não sabia explicar o que eu fazia para entender. Os textos me tocavam, me diziam algo e eu escrevia sobre isso. 

Tempos depois, já na universidade, Clarice volta a ser o mito enigmático e misterioso para o qual era necessário ter um dom supremo para se compreender e eu odiava cada vez que ouvia colegas se gabando de ter acesso a esse conhecimento que nós, pobres mortais, não éramos capazes de ter. Sempre me perguntava por que muita gente que estuda literatura gosta de colocar os autores nesses pedestais inatingíveis, quando na verdade (pelo menos ao meu ver), nossa função enquanto professores de literatura deveria ser justamente o contrário, a de aproximar as pessoas dos livros e dos autores que tanto amamos. A fazer com que as pessoas não tenham medo de pegar um livro e simplesmente se aventurar por suas páginas, sabendo que cada um fará uma viagem única e particular, de acordo com as suas próprias leituras e vivências, seu ritmo, seu tempo.

Felizmente, já em um dos meus últimos semestres na faculdade, tive a sorte de ter aulas com uma professora que falava dos livros de Clarice com tanta paixão que os olhos da turma inteira (ou pelo menos, os meus) ficavam brilhando durante as aulas, desejando ler Clarice e sentir o mesmo encantamento. Nessas aulas, Clarice se tornou possível. Eu saía das aulas correndo para ler Perto do coração selvagemÁgua Viva e fiquei de ler A maçã no escuro, o preferido da professora Antônia, a quem devo muito por ter tornado essas leituras possíveis, possibilidades apaixonantes de ser, eu também, leitora de Clarice.

Hoje, relendo os contos de Clarice para o projeto de leitura criado pela Juliana para 2017, é gostoso ver que mudamos nossa compreensão e relação com esses textos, e como em cada leitura o encantamento (e, às vezes, estranhamento) continua lá. De forma diferente. E, honestamente, acho que isso não acaba nunca. Não só com Clarice, mas com qualquer texto literário. Porque mudamos nosso olhar de leitores com o tempo, e cada vez que um texto é lido ou relido, algo de diferente sobre ele nos toca. E é isso que é mágico na literatura.

E vocês, qual a sua história de leitura/de leitor com os textos de Clarice Lispector?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[Os óculos]



"De nosso pai, em minhas posses, restou um par de óculos quadrados, armação pesada, antigos. Esse par de óculos fica comigo quando escrevo, a eles me apego e com eles mesmo converso, pedindo menos transcendência do que lucidez. Peço, Pai, me ajuda, e o pai me ajuda através dos óculos, dos óculos que ficam junto a mim, que ficarão junto a mim, um manancial quente e bom destrava a mão, foca meus sentidos naquilo que há de mais sagrado, o amor no qual confiava e me fazia forte, força de andar em frente e não precisar de perdão para coisa alguma. Sentindo nas mãos o metal e o vidro espicaçando a pele de frio, parece que escuto a risada e o choro de papai, que vi apenas uma vez na vida, mas que se fincou dentro de mim como a lembrança de que a dor existe e que no entanto pode ser contornada, e que tudo não é um oceano de lágrimas, como a senhora diz, mas um deserto de se atravessar com alegria."


MOSCOVICH, Cíntia. Por que sou gorda, mamãe? Rio de Janeiro: Record, 2006. p.249

sábado, 4 de fevereiro de 2017

.



Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram —
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora — os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim — tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora — nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique —
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito
como uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora — esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua — a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES (Gótica Ed., 2001), in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O ano da estrela (The Year of The Star)


Projeto de leitura para 2017, criado pela Juliana, do blog The Blank Garden: ler dois contos de Clarice Lispector por semana, a partir de fevereiro, na ordem em que estão publicados no livro Todos os contos (publicado pela editora Rocco). Vamos ler Clarice Lispector? Confira a programação de leitura (criada pela Ju e originalmente publicada aqui):
  • Semana 01
  • [6 de fevereiro a 12 de fevereiro, 2017]
  • Contos: O triunfo & Obsessão
  • Semana 02
  • [13 de fevereiro a 19 de fevereiro, 2017]
  • O delírio & Eu e Jimmy 
  • Semana 03
  • [20 de fevereiro a 26 de fevereiro, 2017]
  • História interrompida & A fuga
  • Semana 04
  • [27 de fevereiro a 5 de março, 2017]
  • Trecho & Cartas a Hermengardo
  • Semana 05
  • [6 de março a 12 de março, 2017]
  • Gertrudes pede um conselho & Mais dois bêbados
  • Semana 06
  • [13 de março a 19 de março, 2017]
  • Devaneio e embriaguez duma rapariga & Amor
  • Semana 07
  • [20 de março a 26 de março, 2017]
  • Uma galinha & A imitação da rosa
  • Semana 08
  • [27 de março a 2 de abril, 2017]
  • Feliz aniversário & A menor mulher do mundo
  • Semana 09
  • [3 de abril a 9 de abril, 2017]
  • O jantar & Preciosidade
  • Semana 10
  • [10 de abril a 16 de abril, 2017]
  • Os laços de família & Começos de uma fortuna
  • Semana 11
  • [17 de abril a 23 de abril, 2017]
  • Mistério em São Cristóvão & O crime do professor de matemática
  • Semana 12
  • [24 de abril a 30 de abril, 2017]
  • O búfalo & Os desastres de Sofia
  • Semana 13
  • [1 de maio a 7 de maio, 2017]
  • A repartição dos pães & A mensagem
  • Semana 14
  • [8 de maio a 14 de maio, 2017]
  • Macacos & O ovo e a galinha
  • Semana 15
  • [15 de maio a 21 de maio, 2017]
  • Tentação & Viagem a Petrópolis
  • Semana 16
  • [22 de maio a 28 de maio, 2017]
  • A solução & Evolução de uma miopia
  • Semana 17
  • [29 de maio a 4 de junho, 2017]
  • A quinta história & Uma amizade sincera
  • Semana 18
  • [5 de junho a 11 de junho, 2017]
  • Os obedientes & A legião estrangeira
  • Semana 19
  • [12 de junho a 18 de junho, 2017]
  • Fundo de gaveta & A pecadora queimada e os anjos harmoniosos
  • Semana 20
  • [19 de junho a 25 de junho, 2017]
  • Perfil de seres eleitos & Discurso de inauguração
  • Semana 21
  • [26 de junho a 2 de julho, 2017]
  • Mineirinho & Felicidade Clandestina
  • Semana 22
  • [3 de julho a 9 de julho, 2017]
  • Restos do carnaval & Come, meu filho
  • Semana 23
  • [10 de julho a 16 de julho, 2017]
  • Perdoando Deus & Cem anos de perdão
  • Semana 24
  • [17 de julho a 23 de julho, 2017]
  • Uma esperança & A criada
  • Semana 25
  • [24 de julho a 30 de julho, 2017]
  • Menino a bico de pena & Uma história de tanto amor
  • Semana 26
  • [31 de julho a 6 de agosto, 2017]
  • As águas do mundo & Encarnação involuntária
  • Semana 27
  • [7 de agosto a 13 de agosto, 2017]
  • Duas histórias a meu modo & O primeiro beijo
  • Semana 28
  • [14 de agosto a 20 de agosto, 2017]
  • A procura de uma dignidade &A partida do trem
  • Semana 29
  • [21 de agosto a 27 de agosto, 2017]
  • Seco estudo de cavalos & Onde estivestes de noite
  • Semana 30
  • [28 de agosto a 3 de setembro, 2017]
  • O relatório da coisa & O manifesto da cidade
  • Semana 31
  • [4 de setembro a 10 de setembro, 2017]
  • As manigâncias dona Frozina & É para lá que eu vou
  • Semana 32
  • [11 de setembro a 17 de setembro, 2017]
  • O morto no mar da Urca & Silêncio
  • Semana 33
  • [18 de setembro a 24 de setembro, 2017]
  • Uma tarde plena & Tanta mansidão
  • Semana 34
  • [25 de setembro a 1 de outubro, 2017]
  • Tempestade de almas & Vida ao natural
  • Semana 35
  • [2 de outubro a 8 de outubro, 2017]
  • Explicação & Miss Algrave
  • Semana 36
  • [9 de outubro a 15 de outubro, 2017]
  • O corpo & Via Crucis
  • Semana 37
  • [16 de outubro a 22 de outubro, 2017]
  • O homem que apareceu & Ele me bebeu
  • Semana 38
  • [23 de outubro a 29 de outubro, 2017]
  • Por enquanto & Dia após dia
  • Semana 39
  • [30 de outubro a 5 de novembro, 2017]
  • Ruído de passos & Antes da ponte Rio-Niterói
  • Semana 40
  • [6 de novembro a 12 de novembro, 2017]
  • Praça Mauá & A letra do "p"
  • Semana 41
  • [13 de novembro a 19 de novembro, 2017]
  • Melhor do que arder & Mas vai chover
  • Semana 42
  • [20 de novembro a 26 de novembro, 2017]
  • Brasília & A bela e a fera ou A ferida grande demais
  • Semana 43
  • [27 de novembro a 3 de dezembro, 2017]
  • Um dia a menos & A explicação inútil
  • Semana 44
  • [4 de dezembro a 10 de dezembro, 2017]
  • catching up week
  • Semana 45
  • [11 de dezembro a 17 de dezembro, 2017]
  • catching up week
  • Semana 46
  • [18 de dezembro a 24 de dezembro, 2017]
  • wrap-up